Carta do Gestor - Novembro de 2020

Prezados cotistas,


O mês de novembro foi marcado por uma forte alta nas principais bolsas do planeta. O S&P subiu 10,7%, o Nasdaq 11% e o Dow Jones 11,8%. O Ibovespa teve elevação de 15,9%, enquanto nosso portfólio subiu 18,18%, a maior alta desde outubro de 2018 e a quarta maior desde o início do fundo.


Tivemos ao longo do mês uma combinação de fatores que ajudam a explicar esse desempenho. Destacamos as eleições nos EUA em que, apesar dos questionamentos em 6 Estados, os resultados atuais indicam a vitória do candidato democrata Joseph Biden, mas com a expectativa de que os Republicanos continuem com a maioria no Senado. Essa combinação traria certo alívio para a “guerra comercial” com a China e garantiria a continuidade de políticas fiscais e monetárias mais acomodatícias, porém sob uma maior fiscalização e disciplina, já que novos pacotes de estímulo dependeriam da aprovação no Senado de maioria republicana. O dólar perdeu valor contra a cesta de moedas, em particular contra o Real, que se apreciou pouco mais de 6% ao longo do mês. Outra boa notícia foi que algumas das principais vacinas contra o COVID19 mostraram elevada eficácia, ultrapassando 95% em pelo menos duas delas e devem chegar ao público nas próximas semanas, começando pela vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em conjunto com a farmacêutica AstraZeneca. Também foram promissores os resultados obtidos pelas norte-americanas Moderna e Pfizer, além da russa Sputnik V, desenvolvida pela Gamaleya.

No Brasil tivemos as eleições municipais e cujos resultados não chegaram a surpreender. Os grandes perdedores foram o PT e o PSDB, que seguiram com suas tendências de queda, tanto no número de municípios quanto no número de brasileiros por eles governados. O PT não venceu em nenhuma das capitais, fato inédito desde os anos 80. Partidos como o DEM, PSD, Republicanos, Patriotas, mais orientados a centro-direita foram os que mais ganharam novos municípios. O Presidente, ainda sem partido, não se envolveu diretamente na campanha, exceto pelo apoio a poucas dezenas de vereadores e meia dúzia de candidatos a prefeito, a maioria entre nomes de pouca expressão. O que ficou deste pleito é que para as eleições de 2022 a esquerda deverá ter, como principal candidato, um nome que possivelmente não seja do PT e que partidos de centro-esquerda, como o PSDB, devem se aliar com alguns partidos de centro direita (DEM), para indicar um nome e que busque superar o nome indicado pela esquerda, para chegar ao segundo turno e disputar com Bolsonaro, que provavelmente contará com o apoio os demais partidos de centro-direita.


Esperamos pela retomada da agenda de Reformas, a começar pela PEC emergencial e Reforma Tributária, mas acreditamos que estarão sujeitas às intempéries causadas pela eleição para as presidências da Câmara e do Senado. A aprovação da PEC emergencial é de extrema importância e, sem esta, ficará muito difícil ancorar novamente as expectativas de equilíbrio fiscal. Dito de outra forma, sem a PEC a curva de juros permanecerá com elevada inclinação e o ajuste, cedo ou tarde, se dará através da elevação no nível de preços. Há sinais de que o auxílio emergencial, conhecido por “coronavoucher”, deve ser encerrado ao final deste ano, conforme o previsto. O auxílio foi de extrema importância para a preservação da renda e do consumo durante esse 2020 e seu término implicará em redução na demanda agregada e, consequentemente, menor pressão sobre a inflação. A geração de empregos será fundamental para que parte desta menor renda seja substituída pelo aumento da massa salarial. Outubro foi o quarto mês positivo e consecutivo de geração de empregos, surpreendendo com a criação líquida de 395 mil vagas, acima das 220 mil esperadas e totalizando a criação líquida de 1,1 milhão de postos nestes 4 meses.


Nossas maiores posições foram as maiores contribuintes para o desempenho do fundo no mês. As ações da Vale subiram 28,8%, com a contínua elevação no preço do minério de ferro e expectativa de que esse nível elevado permaneça, pelo menos, durante a primeira metade de 2021. As ações do Itaú tiveram alta de 21,7% com a expectativa de que a saúde financeira das empresas esteja melhorando e de que, para os próximos trimestres, devemos esperar por menores provisões. O anúncio da venda de parte das ações da XP e da distribuição das ações remanescentes para os acionistas irá contribuir para o destravamento de valor. Excluindo-se os investimentos em XP, assim como a equivalência patrimonial, as ações do Itaú entraram o mês sendo negociadas por volta de 7 vezes o lucro estimado para 2021, já considerando um retorno sobre o capital por volta de 18-20% ao ano.


Começamos a perceber o que acreditamos ser o início de uma realocação de portfólio, com redução de exposições a empresas growth (crescimento) em favor de empresas value (valor), o que tende a favorecer nossos investimentos. Poucas vezes houve tamanha distância nos preços relativos entre esses grupos.


O ano começou muito bem, com a atividade econômica acelerando, reformas em andamento e inflação muito abaixo das expectativas. Passamos em março por um grande choque, causando um trauma inédito na atividade, com destruição de milhões de postos de trabalho pelo mundo, além do aumento de incerteza. Estamos chegando ao seu final, tendo recuperado boa parte das perdas e diante de expectativas bastante positivas e valuations muito atrativos, ainda que sob riscos maiores do que em janeiro. A piora nas contas públicas não foi exclusividade brasileira, de forma que podemos considerar que as medidas anticíclicas aqui adotadas, podem ter nos colocado em melhor posição em relação a diversas outras economias. Façamos o que está ao alcance, ou seja, aprovemos logo essas reformas mencionadas, pois a farta liquidez global está logo ali, à espreita, ávida por elevados retornos.


Alocação setorial - GTI Dimona Brasil FIA

Atenciosamente,

André Gordon

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